RV sem clareza vira risco — e custo — gigante.
Perdas milionárias por erro (ou ajuste “criativo”) em remuneração variável acontecem mais do que parece , e os casos públicos de gigantes como IBM e Oracle viraram alerta para qualquer empresa que paga comissão, bônus ou premiação. No SplitTalks 6, a conversa girou em torno de um ponto simples: quando a regra não está clara, documentada e rastreável, o risco financeiro explode — seja por erro operacional (planilhas e processos manuais), seja por disputa jurídica depois.

O papo começou lembrando por que a SplitC existe: muita empresa ainda calcula RV no Excel, perde tempo, comete erros e só descobre o problema quando alguém questiona. E aí entra o tema central do encontro: como evitar que um modelo de comissão vire prejuízo grande lá na frente.
A discussão trouxe um aprendizado importante: remuneração variável não é só “pagar um extra”. Ela é uma ferramenta de gestão para estimular metas e resultados. O problema é quando a empresa cria um incentivo agressivo, percebe depois que ficou caro, e tenta mudar ou reduzir unilateralmente. Isso pode gerar passivo, e pior, decisões difíceis como cortar pessoas boas só porque a política de RV ficou pesada demais.
Outro ponto que apareceu com força foi a diferença cultural entre EUA e Brasil. Lá fora, o contrato tende a pesar mais. Aqui, a interpretação pode variar bastante, e uma palavra vira chave: habitualidade. Mesmo com mudanças na legislação brasileira, na prática ainda existe o risco de entendimentos judiciais considerarem que pagamentos frequentes e previsíveis “entram no salário” para vários cálculos (13º, férias, FGTS etc.). Ou seja: se vira rotina, vira problema.
Daí vem a parte prática: como reduzir risco sem “engessar” a empresa. A ideia não é viver com medo, mas entender o apetite ao risco e se preparar. Quando dá, entra contingenciamento. Quando não dá, entra estratégia: clareza de metas, critérios objetivos, comunicação bem feita e histórico guardado, porque histórico vira prova.
E do lado operacional, o recado foi direto: não dá para depender de processo manual. Erros pequenos viram dinheiro grande. Com RV de R$ 1 milhão por mês, um “errinho de 5%” vira R$ 50 mil fácil. Automatizar cálculo, manter rastreabilidade e ter governança (quem alterou, quando, por quê) é o básico para proteger a empresa e também dar transparência para quem recebe.
No fim, ficaram três caminhos bem claros: revisar a política de RV com profundidade, alinhar qualquer mudança com critérios e registro, e evitar pagamentos que viram “variável fixo” disfarçado. A mensagem final foi simples: bônus e comissão podem ser aliados enormes — desde que sejam claros, controláveis e bem documentados.
FAQ
1. Por que a remuneração variável pode virar prejuízo milionário?
Porque erros de cálculo, falta de documentação e mudanças unilaterais podem gerar pagamento incorreto e disputas que se acumulam por anos.
2. O que mais aumenta o risco jurídico em RV?
Falta de regras claras e rastreáveis, e pagamentos frequentes que podem ser vistos como “habituais”, aumentando a chance de discussão sobre integração ao salário.
3. Como reduzir risco sem travar a empresa?
Automatize o cálculo, mantenha histórico e governança, defina critérios objetivos e documente/registre aceites quando houver mudanças de política.
.png)

.png)


